Não dê alimento bom para todos os cães que você encontrar em sua jornada

Entre eles têm os que precisam estar fortes para te morder.

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Você sempre recebeu orientações sobre a importância e a necessidade de compartilhar para o bom relacionamento humano: compartilhar afeto, conhecimentos, e até mesmo os segredos mais íntimos. No entanto, deve haver uma certa prudência ao compartilhar e dividir conhecimentos intelectuais e segredos emocionais, pois há riscos entre abrir-se ao mundo e proteger-se daqueles que eventualmente podem não ter intenções tão éticas.

Na Bíblia há várias passagens, onde nos prepara para uma reflexão mais profundo sobre o tema, inclusive, logo abaixo você encontrará uma passagem do Salmos que chancela as linhas aqui escritas.

Como diz no primeiro parágrafo: “Não dê alimento bom para todos os cães que você encontrar em sua jornada. Entre eles têm os que precisam estar fortes para te morder”.

Essa metáfora simples e reflexiva ilustra o risco de alimentar a confiança de pessoas que, no futuro, podem usar da sua vulnerabilidade para denegrir seu nome, roubar seus sonhos e até destruir seus relacionamentos valiosos, podendo causar-te danos e perdas irreversíveis.

Veja que o ato de compartilhar segredos ou ensinamentos valiosos é, de certa forma, uma entrega de poder, permitindo o fortalecimento daqueles que poderiam te prejudicar, intencionalmente ou não. Tal cautela não significa tornar-se uma pessoa fechada em relação aos que estão no seu convívio, mas a necessidade de desenvolver a habilidade de discernir aqueles que merecem o seu “alimento bom”, ou seja, o melhor de você, o seu “mapa da mina”, já que nem todos aqueles que segue suas pegadas têm intenções transparentes, e nem todos saberão valorizar o que você doa de você.

Precaver-se e guardar-se com seus conhecimentos, sentimentos ou habilidades não significa ter atitude de egoísta, é mais para a busca pelo equilíbrio entre a generosidade e a sabedoria de proteger-se. Ensinar tudo o que você sabe, por exemplo, pode significar, em alguns contextos, preparar outra pessoa para tirar proveito das suas descobertas. Revelar segredos íntimos ou dar o seu melhor sem conhecer as intenções do outro pode te deixar vulnerável, criando condições para desapontamentos e até traições.

É necessário desenvolver a “inteligência social”, para que possas continuar confiando, mas desconfiando, ou seja, precisas criar e fortalecer laços de relacionamentos e alianças fortes com pessoas certas sem cair em armadilhas criadas por pessoas insensatas, sem caráter e apegadas á invejas e maldades.

A arte de compartilhar com cautela está na atitude de um viver mais equilibrado e harmonioso com você, respeitando seus próprios limites e seus valores em significado de amor pessoal, mesmo que tenhas que oferecer o melhor que você possui para quem realmente saberá reconhecer, valorizar e preservar seus segredos com o devido respeito.

Quando você dá melhor para “cães errados”, tendes a obter alguns possíveis prejuízos e sensações de sofrimento.

Nos meus mais de 20 anos de experiência em ajudar pessoas percebi alguns tipos de sensações que fazem as pessoas sofrerem quando confiam seus segredos para a pessoa errada.

Abaixo eu apresento uma lista dos prejuízos mais comuns quando há traição de confiança entre relacionamentos pessoais e profissionais e logo após estarei relacionando uma lista de sugestões para que você possa evitar surpresas desagradáveis.

OS DEZ PREJUÍZOS E SENSAÇÕES NEGATIVAS POR CONFIAR DEMASIADAMENTE SEM ALGUMAS CAUTELAS POSSÍVEIS:

  1. Frustração por falta de retribuição:
    Não que tudo o que você faça precisa de retribuição, mas aplicar créditos emocionalmente ou intelectualmente em alguém que nunca ou quase nunca retribui na mesma medida pode gerar em você uma sensação de autodesvalorização.
  1. Frustração com as intenções ocultas: As intenções ocultas, após reveladas, te passam a sensação de ter recebido um golpe da traição devido a outra pessoa ter um interesse velado, esperando apenas que você ensine, informe, oriente ou dedique seu tempo e suas estratégias. Muitas vezes a descoberta é tardia e o prejuízo é certo.
  1. Não acreditar na confiança:Muitas pessoas não confiam em ninguém, mas também pudera, noutros tempos teve experiências negativas ao confiar demais, o que pode criar barreiras emocionais que afetam futuros relacionamentos e a confiança que é necessário haver passa a ser um problema a ser superado. Nem todas as pessoas são iguais, nem todos que se aproximam de você fará mal para você. É necessário que tenha “inteligência social” para poder detectar os melhores relacionamentos.
  1. Prejuízos à reputação:
    Por serem divulgados de forma distorcidas, muitas informações compartilhadas, resultam em danos à imagem pessoal ou profissional, de forma que para a sociedade não cabe tempo em averiguar se é a verdade que caminha ao seu lado.
  1. Vulnerabilidade a manipulação:De certa forma as informações ou emoções compartilhadas para pessoas menos éticas ou nem um pouco éticas podem manipular situações e influenciar decisões de forma vantajosa para elas.
  1. Diminuição do senso de autovalor: Ao dar o melhor de si para pessoas que não valorizam, pode-se perder o senso de autovalorização e respeito, questionando o próprio valor e competências pessoais.
  1. Perda de recursos ou oportunidades: Muitos avançam em seus objetivos profissionais e pessoais por roubar conhecimentos e estratégias revelados sem discernimento deixando você em desvantagem competitiva.
  1. Exposição emocional: Você pode ficar emocionalmente frágil e vulnerável a julgamentos e comentários que minam sua autoconfiança por confiar em pessoas sem confiança.
  1. Sensação de desperdício de tempo e energia: Empreender tempo e energia num relacionamento desrespeitoso e que não valoriza o seu esforço e sua dedicação pode causa sensação de desperdício de tempo, o que pode levar ao desgaste emocional e físico.
  1. Falta de controle sobre a própria narrativa:Você pode perder o controle sobre como, quando, onde e para quem a informação correta deveria ser levada e transmitida, na hipótese de você divulgar informações pessoais ou confidenciais, o que gera desgastes, boatos e injustiças com seu nome.

Esses prejuízos ressaltam a importância de desenvolver um senso de discernimento, preservando-se e valorizando-se ao escolher cuidadosamente o que e com quem compartilhar, ou seja, é necessário desenvolver a “INTELIGÊNCIA SOCIAL”.


A ARTE DE COMPARTILHAR COM CAUTELA EM 10 DICAS PRÁTICAS

  1. Pesquise e descubra o histórico da pessoa:
    Antes de se abrir, observe o comportamento passado dela, se ela causou algum tipo de atitude que revele a possível atitude com você. Se fala de outra pessoa, revela segredos de outra pessoa, será que não serão os seus segredos os próximos que ela revelará sem sua permissão.
  1. Defina limites no ato de confiar:
    Faça um filtro do que você pode e do que você não deve revelar, estabelecendo o que é pessoal e confidencial. Defina quais informações você considera muito valiosas ou sensíveis para compartilhar sem uma boa razão.
  1. Queira o autoconhecimento e conheça-te:
    Descubra as razões que você sente vontade de compartilhar suas informações pessoais e profissionais sem qualquer zelo e respeito por você. Pode estar havendo uma busca por validação ou apoio, que pode te colocar em nível de fragilidade.
  1. Dê tempo ao tempo:
    O tempo permite construir relacionamentos fortes, respeitosos e duradouros, assim evita compartilhar profundamente com pessoas que você conheceu há pouco tempo.
  1. Entenda a comunicação inconsciente da outra pessoa:
    Se torne mais ouvinte e o habito de observar mais do que falar mais. Analise o que a pessoa diz sem falar. A expressão corporal dela poderá revelar o que ela oculta em suas intenções apesar de ela falar ao contrário do que de fato pensa.
  1. Descubra se há pontos de reciprocidade:
    Para criar um ambiente de confiança mútua procure ouvir as dificuldades da outra pessoa, isso pode gerar equilíbrio nas relações, desde que ela revele informações valiosas e você sinta em nível de segurança.
  1. Use a técnica do conta gotas:
    Avalie o ato de compartilhar de forma gradual e nivele entre o que pode e o que não deve. Comece pelo que pode e aguarde se há incongruência e ressonância na sociedade do que você confidenciou para esta.
  1. Desenvolva sua percepção extra-sensorial:
    Se algo parecer errado ao falar com alguém, ou se você tiver uma sensação de dúvida, respeite esse instinto, pois a intuição costuma captar sinais que nem sempre é expressado por palavras.
  1. Tenha a discrição de coruja:
    No ambiente profissional, as informações estratégicas e pessoais podem gerar competição e uso inadequado. Observe mais e compartilhe apenas o essencial e tenha cuidado com as confidências no ambiente corporativo, você pode estar perdendo oportunidades e alimentando um cão que vai te morder e como perda poderá ser uma promoção, um bônus ou prêmio.
  1. Faça uma seleção restrita de pessoas de confiança:
    Se alguém já demonstrou lealdade e confiabilidade ao longo do tempo, esta pessoa tende a agir com lealdade e confiabilidade.

Use estas dicas para você construir uma relação saudável com o ato de compartilhar, preservando seu bem-estar e evitando perdas emocionais e materiais.

E para finalizar uma reflexão bíblica, onde o Rei Davi também foi traído e nesse Salmos ele fala das angústias por causa da traição que sofreu de um amigo, e que talvez possa ser Aitofel, o conselheiro que o abandonou para aliar-se ao rebelde Absalão

“Se o ultraje viesse de um inimigo, eu o teria suportado se a agressão partisse de quem me odeia, dele me esconderia. Mas eras tu, meu companheiro, meu íntimo amigo, com quem me entretinha em doces colóquios com quem, por entre a multidão, íamos à casa de Deus”. Salmos 55:13-15 

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Edson Padilha
Copyright © 2002
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